domingo, 21 de março de 2021

RECEIO-ME


Receio-me

de não entender a voz do vento

de não conseguir agarrar o sol

de estar desapontado com a lua

da água não perceber o lamento

de não ouvir o falar do caracol

de não ter coragem de sair à rua

receio-me.

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Receios infundados, os dele. Que o vento, o sol, a água e o caracol, decidiram homenageá-lo afirmando a uma voz, que pessoa mais corajosa que ele ainda estaria para nascer. E a prova estava ali, à vista de todos, pois até saiu à rua. Num carro funerário que o levou para o Cemitério dos Prazeres.


Alberto Oliveira

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